Os cuidados com a segurança no fechamento de sacadas

Os cuidados com a segurança no fechamento de sacadas

Os cuidados com a segurança no fechamento de sacadas

Uma tendência que está se consolidando é o fechamento com vidros de sacadas e varandas de apartamentos, pois torna o ambiente mais aconchegante, reduz o barulho exterior, assim como preserva o espaço da chuva e poluição.

No entanto, antes de contratar o serviço é importante verificar com o condomínio sobre as normas do edifício para manter o padrão visual da construção.

O cuidado mais essencial a ser tomado é com relação à segurança, pois há muitos perigos que envolvem materiais inadequados e mal colocados.

Felizmente os consumidores podem agora contar com normas mais eficazes e que estabelecem padrões mais adequados para o fechamento de sacadas e varandas. Entrou em vigor através da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) a Norma nº 16.259/2014 com requisitos e métodos de ensaio.

“Estamos otimistas, pois acreditamos que, com as novas regras, a fiscalização e a cobrança por parte do consumidor será maior. Foram quatro anos de discussão, mas valeu a pena, pois a Norma está bem esclarecedora e foi redigida de forma que até os leigos a compreendam”, afirma o arquiteto Rodrigo Belarmino, coordenador da Norma e diretor da empresa Solid Systems, especializada em envidraçamento de sacadas.

Saiba mais sobre a nova Norma e sobre as opções para o fechamento a seguir:

Como fazer o fechamento

Atualmente o sistema mais utilizado é o chamado de europeu, que proporciona a abertura total do vão e pode ser instalado em qualquer tipo de sacada: côncava, convexa, reta, em grau etc. Nesse sistema, as folhas de vidro ficam alinhadas no trilho e, para abrir, precisam girar 90° e se recolher em um dos cantos. O vidro pode ir do piso ao teto ou começar a partir do guarda-corpo, dependendo da resistência da mureta original.

Os materiais variam dos mais simples aos mais sofisticados. Há sistemas em que cada vidro mede 90 cm de largura, o que faz com que a fachada fique mais ‘limpa’, sem tantas emendas. “Com menos frestas, a chance de entrar água é menor”, diz Belarmino.

Qual o tipo vidro utilizar

“Essa questão do vidro há polêmicas envolvidas, porém é muito simples”, afirma Belarmino. Segundo ele, muitas empresas defendem o tipo de vidro que comercializam. Para acabar com as dúvidas sobre qual vidro utilizar, a Norma nº 16.259/2014 aborda esse assunto de forma bem clara.

Para o fechamento de sacadas e varanda existem dois tipos de vidro chamados “de segurança”: o temperado e o laminado. A escolha do vidro correto deve ser feita com base em cálculos que consideram a região do país em que se encontra, a posição do prédio, o número de andares, etc.

O temperado é bastante resistente ao vento e a impactos (até seis vezes mais do que o laminado comum), suportando com segurança pressões de vento de todas as regiões do Brasil, até as regiões com índices de ventos mais fortes como: São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, sendo o único vidro utilizado na Europa para esse tipo de aplicação. Recomenda-se a utilização do vidro temperado em conjunto com a película de segurança, pois em caso de quebra este não estilhaçará. Já o laminado é menos resistente ao vento e impactos, porém pode ser utilizado com segurança em regiões com incidência de ventos mais fracos, como Rondônia, Acre e grande parte do Nordeste, além de edifícios com poucos pavimentos. Ensaios em laboratório mostram que um sistema com vidro temperado de 10 mm suporta pressões de vento superiores a 3000 Pascais enquanto o laminado 5+5 mm suporta no máximo 1100 Pascais. Uma região como São Paulo, com edifícios entre 20 e 30 andares, o sistema deve suportar no mínimo 2210 Pascais, portanto o vidro temperado é sem dúvidas o mais seguro.

Cuidados para a colocação

Primeiramente deve-se contratar uma empresa que respeite a Norma da ABNT. “Pedir referências a amigos, familiares e vizinhos; levantar os dados da empresa; visitar obras feitas por ela; e verificar se oferece garantia e atendimento pós-venda é importante”, recomenda Belarmino.

Somente prestadores de serviços que conhecem as normas saberão garantir o bom funcionamento do sistema de fechamento, com procedimentos essenciais, tais como: medir o espaço corretamente, pois, para funcionar, o sistema precisa estar dentro do prumo, não pode estar torto; e de deixar um espaço de três cm entre a viga superior e o gradil para que o vidro gire.

Os cuidados são fundamentais para evitar problemas, alguns bastante graves. “Infelizmente, acontecem coisas assustadoras”, declara Belarmino. Entre os acidentes mais sérios, ele cita descolamento de vidros mal colados, vidros que saem voando ou ficam pendurados por conta de especificação errada ou fixação mal feita. “Já vi vidro que deveria ter sido fixado com 10 parafusos com somente dois, problemas de alinhamento, mau acabamento e falta de vedação.”, conta Belarmino.

Custos

Belarmino compara os sistemas de fechamento a carros: “Temos desde modelos mais simples e baratos, com itens básicos de segurança, até outros mais sofisticados e seguros, mas também mais caros. O preço varia de acordo com a segurança, o funcionamento, o acabamento, a qualidade, o conforto, a estrutura e o atendimento pós-venda oferecido”.

A Norma

A Norma nº 16.259/2014 da ABNT aborda questões relacionadas à preparação do local, fixação, aos tipos de vidro, à utilização do sistema, entre outras. Belarmino, coordenador da Norma, destaca três pontos em relação à segurança que devemos observar com muita atenção:

A Norma nº 16.259/2014 da ABNT aborda questões relacionadas à preparação do local, fixação, aos tipos de vidro, à utilização do sistema, entre outras. Belarmino, coordenador da Norma, destaca três pontos em relação a segurança que devemos observar com muita atenção:

A resistência a cargas uniformemente distribuídas (pressão de ventos). Esse item contém uma tabela que mostra a pressão de vento ideal para cada região do país, considerando o número de andares do edifício entre outros fatores. “As empresas terão que fazer ensaios para verificar se o equipamento suporta tais pressões de vento sem quebrar”, observa Belarmino.

Outro item a ser observado é o que trata da resistência a impactos, aonde o sistema é submetido a impactos e esses não devem danificar o equipamento.

Por último, é essencial a exigência de se ter um responsável técnico pela execução da obra. Esse profissional deverá elaborar o projeto, acompanhar o serviço e preencher o Registro de Responsabilidade Técnica (RRT) – um atestado emitido pelo órgão competente (CREA – Conselho Regional de Engenharia – ou CAU – Conselho de Arquitetura e Urbanismo).

Colaboraram para esta matéria:

rodrigo solid

 

Rodrigo Belarmino – Arquiteto formado pela Universidade de Mogi das Cruzes e pós-graduado em administração de empresas pela FIA-USP (Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo). É diretor da Solid Systems – Envidraçamento Premium e coordenador da Norma nº16259/2014 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

 

 

 

 

Sandra Arvage, jornalista e diretora da GRC Comunicação.

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